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sábado, 16 de outubro de 2010

Resenha do Livro Pedagogia da Autonomia

RESENHA


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (146 páginas.)
Neste livro o autor destaca a importância de se estar bem preparado para exercer a profissão de docente. Segundo ele, há exigências que precisam ser atendidas para que a prática educativa não seja apenas uma transmissão de conhecimentos, sem significados e reais responsabilidades. Ele aborda de maneira simples o dia-a-dia da sala de aula ressaltando a importância da formação docente e do relacionamento educador/aluno na busca de um aprendizado de qualidade.
O livro é dividido em três capítulos. No primeiro o autor ressalta os papéis dos dois autores da construção do conhecimento. “Não há docência sem discência. Para ele, o docente precisa estar preparado para aguçar a curiosidade dos discentes e para que isto aconteça é de suma importância o desenvolvimento afetivo na relação professor/aluno. “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo” ( p. 22). E ainda : “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (p. 23). Segundo Freire somos seres inacabados, estamos em um processo de construção/reconstrução, o tempo todo; tanto alunos quanto professores.
No segundo capítulo continua sua ênfase na formação docente que reúna as qualidades de respeito e valorização dos saberes pré-adquiridos pelos alunos. O professor deve ter a visão de que seu aluno deve ter uma formação integral e se tornar um cidadão crítico que prima pela ética. O educador deve sempre estar aberto às indagações, curiosidades e porque não às críticas dos seus alunos já que como o autor declara, o professor progressista precisa saber que: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção... ensinar não é transferir conhecimento” (p. 47).
No terceiro capítulo Freire nos revela que educar não é para qualquer um pelo fato de que se o indivíduo deseja ser um educador de fato, precisa levar a sério sua formação, pois segundo o autor: “a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor” (p. 92). Neste capítulo também nos chama atenção a questão da liberdade versus autoridade, muito bem desenvolvida aqui. Ele deixa claro a necessidade de limites e fundamenta a questão principal e tema de seu livro: a autonomia do sujeito. Mais uma vez Freire acerta ao declarar que: “Ninguém é autônomo primeiro para depois decidir. A autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomada. E ainda: É neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade” (p. 107).
Paulo Freire deixa claro o verdadeiro sentido da educação que é a transformação do indivíduo/discente em cidadão autônomo, ou seja, aquele que é capaz de reconhecer uma situação/problema, analisar as questões inerentes a ela, sentir-se responsável diante dela e com todo respeito ao ponto de vista do outros, buscar a melhor solução, ainda que ela venha a partir da cooperação e reciprocidade daqueles que estão a nossa volta. Finalizando o autor fecha brilhantemente quando diz que não lidamos com coisas mais com seres humanos (p.144).
A leitura deste livro foi muito válida porque pude enxergar muitos equívocos em minha prática educativa anterior. Apesar de alguns aspectos que sempre considerei importantes estarem bem claros no livro e efetivados em minha prática educativa, pude perceber que ainda há muito que aprender o que, aliás, deve ser uma prática constante na vida do educador. Já que o ensinar inexiste sem o aprender (p. 23).

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