FICHA TÉCNICA
Título Original: Nós que aqui estamos por vós esperamos
Gênero: documentário
Tempo de Duração: 73 min.
Ano de Lançamento: Brasil 1999
Direção e Roteiro: Marcelo Masagão
Música: Wim Mertens
ROTEIRO/ENREDO COMENTADO
O filme começa com uma cena que mais parece uma estratégia de guerra. Logo a seguir, uma cena de fuzilamento, que é cortada por outra cujo tema é o céu. A próxima cena, muito chamativa, é de um cemitério, a primeira chamada à reflexão.
A seguir nos apresenta Nijinski, o grande bailarino, em todo o seu esplendor com o seu balé. Clássico.
Após este episódio, o tempo parece acelerar. É o avanço da indústria, da modernidade, onde a correria se faz presente e as máquinas vão tomando o lugar do homem, na produção. Revolução Industrial no auge.
O telefone vem encurtar as distâncias, mudar o conceito de espaço, e a luz elétrica vem mudar a nossa concepção biológica de tempo.
A cena seguinte mostra a mulher sendo inserida no mercado de trabalho, mudando os seus primeiros ideais. Há uma necessidade flagrante de mão-de-obra, já que os homens, em sua maioria, estão envolvidos diretamente com a guerra.
Temos a seguir uma “chuva” de cenas mostrando como tantas mudanças aconteceram tão rápidamente, e muitas descobertas e inovações. Os carros tomam o lugar dos cavalos.
Há correria, há grande movimentação, e 4 grandes personagens da história aparecem.
Aparece Freud, demonstrando que houve uma mudança na maneira de pensar a razão humana. A descoberta do subconsciente.
Einstein, e sua teoria da relatividade.
Picasso, mudando a concepção de arte.
Lênin: A Rússia se torna a União Soviética.
Mais inovações, dentre elas a máquina fotográfica.
Mais uma vez aparece cena com Nijinski. A seguir o fordismo entra em ação, produção em grande escala.
Aparece um operário, um cidadão comum, que apesar de participar da produção de tantos carros, nunca teve um.
O alfaiate com seu desejo de voar encontra a morte à vista de todos.
Há um salto no tempo e chegamos ao episódio da Challenger, o ônibus espacial que explodiu no ar. O homem, em busca de novas conquistas, enfrenta uma grande perda.
Uma passagem pela vida dos Jones, uma família com histórias para contar. Enfrentam duas grandes guerras em cem anos de história.
Vietnã, retratos de mais uma guerra.
Golfo Pérsico (1991), outra guerra retratada neste documentário, mostrando o avanço da tecnologia a serviço da guerra.
Voltamos ao início do século; retratar a busca por melhores condições de trabalho, redução da jornada, o trabalhador começa a lutar por seus direitos.
Mais personagens anônimos mostram-nos seus feitos.
Grandes construções e o crescimento acelerado da indústria.
O ser humano só serve enquanto aceita ordem e as cumpre à risca. A nova ordem mundial.
A construção do muro de Berlim, os alemães aprisionados em seu próprio território. Mas, um dia este muro é derrubado, a liberdade conquistada novamente, o triunfo de uma nação.
Breve imagem da China seguida pela imagem de Serra Pelada; Brasil e o sonho de se tornar grande.
O homem agora é escravo da produção.
A Índia, suas grandes minas e os excluídos do consumismo.
A queda da bolsa de Nova York (1929), o homem perdido, não sabe mais sobreviver por si só. Grande onda de desemprego. O homem precisou “reaprender” a sobreviver.
A 1ª Grande Guerra, as mulheres produzem bombas. Destruição, miséria e mortes.
O avião a serviço da guerra, enfim o homem aprendeu a voar, para matar.
A morte banalizada, o ser humano não consegue enxergar o outro como igual, a morte é apenas um degrau para a vitória.
Ei-la afinal, a bomba atômica.
Desabafo de um soldado, consequência da guerra. Kamikaze, o desespero da guerra.
Manifestação de entidade religiosa e movimento estudantil da Praça da Paz Celestial (China).
Brasil, mudança na vida dos índios.
Hitler e a paranóia. Mussolini, Stalin, Mao-Tsé Tung, Pol Pot, Franco, Salazar, dentre outros. Mudanças radicais em toda parte do globo terrestre.
Do culto ao corpo à queima de livros em praça pública, o homem parece perdido em seus conceitos, mudanças também acontecem na ordem familiar.
Nisto tudo também há pessoas preocupadas com a diversão. Fred Astaire parece fazer dueto com Mané Garrincha. Cada qual com seu talento. E de talento em talento o homem chega à Lua.
Grandes personagens tomam a tela: Martin Luther King, John Lennon, Che Guevara, Gandhi… Eles atuam na escrita desta história de maneiras diferentes, parecem estar na contra mão da história. São rejeitados, mas seus atos mudam mentes, transformam sociedades, ganham batalhas...
Grandes conquistas femininas, a mulher descobrindo novos caminhos... Chanel e as mudanças do comportamento feminino, a mulher quer liberdade.
Woodstock e o movimento Hippie.
Em apenas duas gerações, o homem descobre a luz e chega ao espaço.
Novas invenções, a explosão consumista e o sonho americano. A transformação do modo de viver e suas consequências. As transformações das religiões vistas nos movimentos religiosos.
Por um lado a fome, a pobreza e o abandono. Grandes feitos femininos, grandes questões, novos desafios.
Finalizando com a ideia central do filme.
“Nós que aqui estamos, por vós esperamos”. Grandes e pequenos atores da história cada um com seus feitos e realizações, seus erros e acertos, suas ideias e, às vezes, até seus fanatismos seguem construindo suas histórias, para no fim se reunirem a outros como eles no único lugar onde todos somos iguais, e não há como lutarmos contra isto.
No cemitério nos encerramos todos nós. Logo, cabe a cada um construir o que se quer deixar como herança para os que vêm depois. Que lições deixaremos? Nossos erros e nossos acertos farão parte desta história que está sempre em construção.